As portas do metrô se abrem, algumas pessoas saem, outras entram, as portas se fecham.
Um entreolhar entre as pessoas que estão lado a lado, nada acontece, todos estão a sós. Olhares conhecidos de desconhecidos, muitos iguais, nada de novo.
O trem sacode, as pessoas se empurram. É um entra e sai, apenas se deixando levar, elas não se diferenciam.
Sorrisos amarelos e rasos, certezas vazias e tristezas completas.
Esquecimentos efêmeros: tudo é passageiro para passageiros por aí.
Aqui não há cor, classe social, sexo, orientação sexual, idade ou escolhas da vida: todos respiram o mesmo ar, pisam no mesmo chão.
Felizes, tristes, vazios ou completos, são todos massa.
Passantes correndo e olhando superficialmente para exposição de obras de arte na estação.
Todos passam, todos caminham. Todos, todos são massa.
Aqui impera a superficialidade...
São apenas pessoas que andam por aí querendo esquecer coisas.
terça-feira, 14 de maio de 2013
quinta-feira, 2 de maio de 2013
A cidade dorme...
A cidade dorme... ou não, apenas se silencia. Alguns bares ainda estão abertos, as casas noturnas agitadas, pessoas vazias estão cheias de álcool e suor, ou somente suor e pele. A cidade ainda está viva, pulsando mais calmamente. Calma que não existe nos garçons dos bares abertos e nos meninos com cola, crack ou outro passatempo.
Ainda existe um som nessa cidade sonolenta, mas esse som não diz nada... como não servirá para nada a hora extra que os trabalhadores na ativa receberão e que será gasto no bar mais próximo, no brinquedo mais caro para o filho ou irá virar pó. Alguns trabalhadores têm a noite como dia por falta de opção, boêmios por diversão, cada qual na sua condição... todos com suas fugas.
Entre os bares, quartos e escritórios a cidade pulsa. Tudo se mistura: escritórios e relatórios, boêmia e poesia, copo americano e enganos. As pessoas da cidade se agarram no que acreditam ser a sua maior valia, mas é bem provável que estejam apenas fugindo, fazendo de tudo para parar de pensar em questões sofríveis.
Mesma sonolenta a cidade pulsa, a cidade tem vida. A boêmia é o coração desse corpo combalido.
E a cidade ainda pulsa: talvez dormindo, talvez sonolenta, talvez mais lenta, talvez mais calma, talvez apenas perdida.
Ainda existe um som nessa cidade sonolenta, mas esse som não diz nada... como não servirá para nada a hora extra que os trabalhadores na ativa receberão e que será gasto no bar mais próximo, no brinquedo mais caro para o filho ou irá virar pó. Alguns trabalhadores têm a noite como dia por falta de opção, boêmios por diversão, cada qual na sua condição... todos com suas fugas.
Entre os bares, quartos e escritórios a cidade pulsa. Tudo se mistura: escritórios e relatórios, boêmia e poesia, copo americano e enganos. As pessoas da cidade se agarram no que acreditam ser a sua maior valia, mas é bem provável que estejam apenas fugindo, fazendo de tudo para parar de pensar em questões sofríveis.
Mesma sonolenta a cidade pulsa, a cidade tem vida. A boêmia é o coração desse corpo combalido.
E a cidade ainda pulsa: talvez dormindo, talvez sonolenta, talvez mais lenta, talvez mais calma, talvez apenas perdida.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
A Estrada
Numa dessas divagações rotineiras me vejo no meio da noite, como num sonho mal construído, as cenas transcorrem e se misturam, não seguem uma ordem cronológica.
Eu me vejo num bar, os copos cheios de cerveja, as pessoas falando alto e sorrindo. Ao fundo o som das vozes que dizem amenidades se misturam com o barulho dos passantes.
Depois eu me transporto para o volante, onde estou repassando mais um dia longo, vejo as luzes dos faróis verdes e abertos: o caminho está livre.
Ao volante me pego pensando nas pessoas que estavam no bar, as dores que foram esquecidas ou apenas maquiadas - foram deixadas na mesa do bar.
De tanto pensar me vejo em outro dimensão, me perco no labirinto que criei aqui dentro. A solidão me gerou um vício pela solitude. O medo do só foi vencido, mas me trouxe outro medo: de não saber ser diferente de só. Me vejo cada vez mais aqui dentro, que esqueço de olhar para o mundo ou finjo que esqueço - ele se tornou demodê. O mundo que eu criei se tornou maior que o mundo real... e aqui fico, e aqui descubro.
E como no final desse sonho, me vejo andando só, numa estrada no meio do deserto, feliz pela vento que sopra na minha cara, com a sensação de liberdade gerada e com o caminho novo que estou percorrendo a cada passo.
Eu me vejo num bar, os copos cheios de cerveja, as pessoas falando alto e sorrindo. Ao fundo o som das vozes que dizem amenidades se misturam com o barulho dos passantes.
Depois eu me transporto para o volante, onde estou repassando mais um dia longo, vejo as luzes dos faróis verdes e abertos: o caminho está livre.
Ao volante me pego pensando nas pessoas que estavam no bar, as dores que foram esquecidas ou apenas maquiadas - foram deixadas na mesa do bar.
De tanto pensar me vejo em outro dimensão, me perco no labirinto que criei aqui dentro. A solidão me gerou um vício pela solitude. O medo do só foi vencido, mas me trouxe outro medo: de não saber ser diferente de só. Me vejo cada vez mais aqui dentro, que esqueço de olhar para o mundo ou finjo que esqueço - ele se tornou demodê. O mundo que eu criei se tornou maior que o mundo real... e aqui fico, e aqui descubro.
E como no final desse sonho, me vejo andando só, numa estrada no meio do deserto, feliz pela vento que sopra na minha cara, com a sensação de liberdade gerada e com o caminho novo que estou percorrendo a cada passo.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Mundo Pequeno
A busca não termina
porque o mundo é pequeno,
o mundo finda
e seu coração que não tem tamanho
extrapola.
É seu coração que não cabe em ti,
é você que não cabe no mundo.
O mundo não é tão grande assim,
é seu coração que delira.
porque o mundo é pequeno,
o mundo finda
e seu coração que não tem tamanho
extrapola.
É seu coração que não cabe em ti,
é você que não cabe no mundo.
O mundo não é tão grande assim,
é seu coração que delira.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
O Brinde
Preenchendo a alma vazia com mais vazio;
vivendo sob coisas rasas:
cheio de tudo, cheio de nada.
Gastando seu tempo com o que é gasto;
deixando se levar para o nada;
cada vez mais superficial.
Com um aperto no peito você faz um brinde ao efêmero,
dá adeus a sua liberdade
e se vê cada vez mais distante da sua essência.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Escrevem-se Cartas de Amor
Sinto que estou sendo olhado
E isso me traz a sensação de que sou um alvo
de uma flecha que irá me partir ao meio.
A sensação é que cada um que lê essas linhas tortas
Tentam, sem pudor, me encontrar nesses versos,
Mas aqui nada tem,
Nada é,
Pode olhar,
Pode avaliar.
Se eu não me encontro,
Se não me desvendo,
Não será possível que você consiga...
E se conseguir não serei eu que você verá.
Aqui mistura-se realidade e ficção,
Não sou eu que estou sendo olhado,
Nem sei o que é.
Irão ver um lado de mim que é pura utopia
E esquecerão do meu lado insípido.
Estou aí...
Posso ser parte disso:
Cada personagem,
Cada eu-lírico,
Mas não sou dor.
O rancor e a dor guardo em poesia,
O amor por vezes também.
As vezes me falta sentimento,
As vezes é só o que resta.
Por vezes procuro o que é o vazio,
Quando o vazio predomina
Procuro outros sentimentos,
Pego emprestado sensações,
Histórias e amores.
Tento desvencilhar as cabeças alheias
Para que algo aqui dentro viva e ame.
Me empresto de um sentimento e
Escrevo uma carta de amor contando outros histórias,
Mas não as minhas.
Como uma sanguessuga me apossarei do que é seu,
Me perderei entre o que é real e o que é invenção,
Mas não estarei vazio.
E isso me traz a sensação de que sou um alvo
de uma flecha que irá me partir ao meio.
A sensação é que cada um que lê essas linhas tortas
Tentam, sem pudor, me encontrar nesses versos,
Mas aqui nada tem,
Nada é,
Pode olhar,
Pode avaliar.
Se eu não me encontro,
Se não me desvendo,
Não será possível que você consiga...
E se conseguir não serei eu que você verá.
Aqui mistura-se realidade e ficção,
Não sou eu que estou sendo olhado,
Nem sei o que é.
Irão ver um lado de mim que é pura utopia
E esquecerão do meu lado insípido.
Estou aí...
Posso ser parte disso:
Cada personagem,
Cada eu-lírico,
Mas não sou dor.
O rancor e a dor guardo em poesia,
O amor por vezes também.
As vezes me falta sentimento,
As vezes é só o que resta.
Por vezes procuro o que é o vazio,
Quando o vazio predomina
Procuro outros sentimentos,
Pego emprestado sensações,
Histórias e amores.
Tento desvencilhar as cabeças alheias
Para que algo aqui dentro viva e ame.
Me empresto de um sentimento e
Escrevo uma carta de amor contando outros histórias,
Mas não as minhas.
Como uma sanguessuga me apossarei do que é seu,
Me perderei entre o que é real e o que é invenção,
Mas não estarei vazio.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Nunca Mais
Em meio a calmaria,
Cabeça fresca,
Coisas no lugar...
Você aparece
E inverte tudo,
Embaralhando minhas ideias.
Você me tirou a solitude,
E que fique
Me tirando o sono
E me trazendo inquietude,
Me fazendo ir mais além.
Que seja assim,
Que a gente nunca mais se veja
E que esse nunca mais dure até amanhã.
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