quinta-feira, 2 de maio de 2013

A cidade dorme...

A cidade dorme... ou não, apenas se silencia. Alguns bares ainda estão abertos, as casas noturnas agitadas, pessoas vazias estão cheias de álcool e suor, ou somente suor e pele. A cidade ainda está viva, pulsando mais calmamente. Calma que não existe nos garçons dos bares abertos e nos meninos com cola, crack ou outro passatempo.
Ainda existe um som nessa cidade sonolenta, mas esse som não diz nada... como não servirá para nada a hora extra que os trabalhadores na ativa receberão e que será gasto no bar mais próximo, no brinquedo mais caro para o filho ou irá virar pó. Alguns trabalhadores têm a noite como dia por falta de opção, boêmios por diversão, cada qual na sua condição... todos com suas fugas.
Entre os bares, quartos e escritórios a cidade pulsa. Tudo se mistura: escritórios e relatórios, boêmia e poesia, copo americano e enganos. As pessoas da cidade se agarram no que acreditam ser a sua maior valia, mas é bem provável que estejam apenas fugindo, fazendo de tudo para parar de pensar em questões sofríveis.
Mesma sonolenta a cidade pulsa, a cidade tem vida. A boêmia é o coração desse corpo combalido.
E a cidade ainda pulsa: talvez dormindo, talvez sonolenta, talvez mais lenta, talvez mais calma, talvez apenas perdida.

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