Sinto que estou sendo olhado
E isso me traz a sensação de que sou um alvo
de uma flecha que irá me partir ao meio.
A sensação é que cada um que lê essas linhas tortas
Tentam, sem pudor, me encontrar nesses versos,
Mas aqui nada tem,
Nada é,
Pode olhar,
Pode avaliar.
Se eu não me encontro,
Se não me desvendo,
Não será possível que você consiga...
E se conseguir não serei eu que você verá.
Aqui mistura-se realidade e ficção,
Não sou eu que estou sendo olhado,
Nem sei o que é.
Irão ver um lado de mim que é pura utopia
E esquecerão do meu lado insípido.
Estou aí...
Posso ser parte disso:
Cada personagem,
Cada eu-lírico,
Mas não sou dor.
O rancor e a dor guardo em poesia,
O amor por vezes também.
As vezes me falta sentimento,
As vezes é só o que resta.
Por vezes procuro o que é o vazio,
Quando o vazio predomina
Procuro outros sentimentos,
Pego emprestado sensações,
Histórias e amores.
Tento desvencilhar as cabeças alheias
Para que algo aqui dentro viva e ame.
Me empresto de um sentimento e
Escrevo uma carta de amor contando outros histórias,
Mas não as minhas.
Como uma sanguessuga me apossarei do que é seu,
Me perderei entre o que é real e o que é invenção,
Mas não estarei vazio.
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