Numa dessas divagações rotineiras me vejo no meio da noite, como num sonho mal construído, as cenas transcorrem e se misturam, não seguem uma ordem cronológica.
Eu me vejo num bar, os copos cheios de cerveja, as pessoas falando alto e sorrindo. Ao fundo o som das vozes que dizem amenidades se misturam com o barulho dos passantes.
Depois eu me transporto para o volante, onde estou repassando mais um dia longo, vejo as luzes dos faróis verdes e abertos: o caminho está livre.
Ao volante me pego pensando nas pessoas que estavam no bar, as dores que foram esquecidas ou apenas maquiadas - foram deixadas na mesa do bar.
De tanto pensar me vejo em outro dimensão, me perco no labirinto que criei aqui dentro. A solidão me gerou um vício pela solitude. O medo do só foi vencido, mas me trouxe outro medo: de não saber ser diferente de só. Me vejo cada vez mais aqui dentro, que esqueço de olhar para o mundo ou finjo que esqueço - ele se tornou demodê. O mundo que eu criei se tornou maior que o mundo real... e aqui fico, e aqui descubro.
E como no final desse sonho, me vejo andando só, numa estrada no meio do deserto, feliz pela vento que sopra na minha cara, com a sensação de liberdade gerada e com o caminho novo que estou percorrendo a cada passo.
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