Dias frios, dias iguais,
você está gelado,
exasperado,
você respira com dificuldade,
hoje é daqueles dias de colocar a blusa porque está frio
e logo depois tirá-la, por que sente calor,
esse ciclo se repete.
Você se apega a sentimentos já vividos,
quer sair do lugar
mas não consegue,
não tem nada de novo,
não sente nada de novo,
relê uma carta antiga,
tenta rememorar um amor de outrora,
procura uma dor, não a encontra,
crava uma faca no seu peito, nada sente,
você está frio.
Bebe uma cerveja gelada,
ela desce quadrada,
gelada ela te faz forte,
te faz frio;
bebeu tanta cerveja
que ficou a mesma temperatura:
gelado;
o mesmo clima:
sem clima algum.
Mais um dia,
mais uma mesa de bar,
mais um copo de cerveja;
você se tornou gelado por viver nessa cidade,
a cidade se movimenta,
não pra frente
mas em círculos,
assim como você.
Talvez essas sejam as últimas letras,
talvez seja o que resta,
talvez a poesia acabe e você perca a fé
e fique no alto de um Santa Fé:
você terá tudo, mas não será nada,
vai olhar para trás e achar imaturidade essa inscontância
e tentará se esquecer em mais um copo de cerveja gelada.
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