Cada segundo parece uma hora;
O pensar me paralisa;
A distância de você é relativa,
Está a um toque do celular.
Eu poderia te ligar
Ou poderia não pensar em você.
Há um sentimento que não sei qual é,
Mas sei que ele me paralisa;
Paralisa o meu dia,
Não produzo;
Paralisa a noite,
Não durmo.
Longe, você está longe;
Perto, você pode estar perto se assim quiser;
Mas quero essa incerteza.
O amor esperado me inebria;
Mas o consumado me limita.
Rememoro o formato do seu rosto;
O seu perfume que não sei mais se é seu;
O sorriso que você tem, ou assim eu imaginava,
Poderia ter sido apenas um sorriso para o garçom,
Não para mim.
Vou guardar essas palavras
Ou posso deixar por ai,
Em algum canto perdido,
Pode ir para o lixo.
Esse desapego me liberta,
E essa libertação gera uma libertinagem literária em mim.
Não tenho mais foco,
Minha concentração esvaiu-se.
Não sei se isso se deve a você ou a uma idealização;
Não existe medo.
Eu que antes queria um sim ou não,
Conservo agora um talvez.
Quero a inconstância de você.
O que sou pra você?
Não sei discernir mais o que é partida ou o que é chegada,
Posso desistir e ponto.
Mas resisto e não entrego,
Resisto e nada faço.
E você continua longe,
Mas guardo aqui a sensação que você pode estar perto,
Muito perto.
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